quarta-feira, 6 de outubro de 2010

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Paulo Esdras · Brumado, BA
19/10/2007 · 100 · 19

O segredo do tempo é consumi-lo sem percebê-lo.
É fingir-se infinito para não o vermos passar
É fazer-se contar em anos em vez de momentos

Relógio, despertador, cronômetro, calendário
Tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo

Ampulheta, único instrumento sincero do tempo
Regressivamente, nos impõe a gravidade
De haver realmente um último grão
Riscando na areia a nossa fragilidade

Mas o tempo é imparcial
Não distingue rico de pobre
Preto de branco, homem de mulher
Devora-se sem escolhas

Matar o tempo é matar-se sem sentido
Perdê-lo é viver em vão

Faz-se devagar nos maus momentos
Depressa quando o queremos

Ponteiro invisível da vida
Peça necessária do fim

A sua fome é insaciável
A sua vontade é determinante
A sua procura é unanime

Se esconde nas sombras que se movem
Nos objetos que não mais servem
Nas pessoas que nunca mais vimos
Na podridão das frutas que não foram colhidas
Nas lembranças já esquecidas

Revela-se nas fotos que se desbotam
Nas cartas que amarelam
Nas crianças que crescem
Nas rugas que aparecem

Deixa-nos a esperança de Pandora
Nas ações dos que virão
No nascimento dos rebento







O tempo


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana




O tempo tem me causado diversos questionamentos, o tempo que me assusta, me amedronta, que me alegre, me acalma......talvez a calma se contradiga com quem tem sede de vida......mas por vezes consigo me estabelecer com ela em harmonia. O tempo que me embriaga de satisfação é o mesmo que me acorda para o que até então permanecia inerte, e me faça entristecer, o tempo presente não é mais o que passou e ele existe para mostrar o que realmente valha a pena, mas as marcas do tempo não deixam de existir, me pergunto quanto tempo mais resta, se talvez será eterno ou terá um fim. O tempo que traz a doçura de um dia, traz também as dores passadas, o tempo não apaga as marcas, mas faz acordar para um novo renascer, uma nova etapa, uma nova vida, mesmo com a presença do ontem.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Relações entre Cultura e Sociedade

Profº Marcos Horácio

Curso: Lato Sensu

Renata de Oliveira Santos RA 60104362

Controle Social da Comunicação

Introdução

Sabemos que nos dias de hoje vivemos literalmente em uma sociedade midiática onde as pessoas formam suas opiniões de acordo com o que é visto nas mídias, principalmente a televisiva. Os veículos de comunicação exercem um poder sobre a sociedade em que estamos inseridos através de métodos persuasivos e psicológicos, da qual o individuo inconsciente de seus atos e da manipulação de tais entidades, consome o produto sem questionar de forma passiva. Eles mostram o mundo de acordo com os interesses específicos, apresentando os acontecimentos da maneira que lhes convém. Permitimos inconscientemente que a mídia exerça influência no nosso modo de ver o mundo e até mesmo no nosso modo de agir no cotidiano. Desse modo salienta-se a comunicação como uma ideologia negativa, posta em questionamento do seu principal papel na sociedade.

Argumentação

Pedrinho A. Guareschi coordenador do livro Comunicação e Controle Social declara que a comunicação ao contrário do que se diz ser a detentora do quarto maior poder, é sem sombra de dúvidas a primeira e mais forte dos poderes.

Guareschi acrescenta que a comunicação constrói a realidade, e o mundo em que vivemos, se uma notícia deixa de ser veiculada pela mídia, automaticamente pressupõe-se que ela deixou de existir, ou seja, cria-se a realidade no momento que está passa a ser transmitida, ou esconde-se no momento em que são silenciadas.

Dessa forma fica claro afirmar que quem detém a comunicação, detém o poder, e mais do que isso, detém o poder de construir a realidade que nos cerca, detém o poder de determinar as regras impostas, as opiniões e anseios de uma sociedade que vive à margem dessas tele informações.

Percebe-se cada vez mais que a relação de comunicação pessoal, da inter-relação, vai se reduzindo à comunicação eletrônica. As pessoas tendem a cada vez mais ficar na frente da televisão vendo e escutando, e cada vez menos falando e se comunicando de modo natural.

As sociedades de bairros, os centros comunitários, os grupos de vizinhos, as várias formas organizativas da sociedade, que tem como objetivo à discussão e resolução de certos problemas, as atitudes e formas ativas de resolver problemas do dia-a-dia e da sociedade, estão cada vez mais se dissipando devido à indústria cultural que preenche as horas da população que alienadas preferem um fim de semana assistindo programas televisivos.

O indivíduo se forma através das relações que vai se criando, sendo que parte dessa relação se estabelece pelos meios de comunicação, transformando-os em seres passivos, dependentes, submissos e robotizados pelo sistema.

1.1 Métodos de persuasão

Ramos 91987) enfatiza que à principio as propagandas tinham como objetivo apenas informar sobre determinado produto, entretanto, para uma sociedade em que grande parte da população não tem poder aquisitivo, a publicidade utiliza formas de persuasão e condicionamentos do subconsciente para a aquisição dos produtos.

A publicidade por sua vez utiliza de forma persuasiva métodos em que as pessoas através do subconsciente prefiram o consumo de determinados produtos, em decorrência da associação que se faz, ou seja, quando se está com sede, ao invés da escolha de tomar água, o subconsciente automaticamente associa um refrigerante gelado, a cantores famosos, pessoas bonitas, calor. O mesmo ocorre com a cerveja, quase sempre ligado à praia, mulheres de biquínis e corpos esculturais, além da reunião de amigos e alegria.

Segundo a teoria Behaviorista: “a magnitude da resposta depende da intensidade do estímulo.”

A teoria Gestaltiana nasceu em 1912, com Max Wertheimer, cujo artigo sobre o movimento aparente concentrou às suas investigações em torno do processo psicológico da percepção, que tem como fundamento três postulados:

O primeiro destaca à ligação de determinado produto, associado a símbolos que direcionam as pessoas a uma vida melhor, por exemplo, o comercial da margarina Doriana, associada a uma família perfeita e feliz.

O segundo postulado diz sobre o processo de percepção que é sempre constituído de fenômenos ligados e associados, nunca como partes isoladas, ou seja, em campanhas eleitorais os candidatos aparecem acompanhados de autoridades ilustres e de grande popularidade, que de certa foram representam significância à população, que não percebe o indivíduo como um ser único, sozinho.

O terceiro postulado refere-se à organização do campo perceptivo, o indivíduo recebe a mídia pronta e perfeita, sem dar-se conta do imperfeito, do que existe por trás, apenas assimilando aquilo que esta visível, conseqüentemente consumindo sem questionar.

São cinco os princípios que norteiam a organização perceptiva, cujo conhecimento é fundamental para fechar a “Gestalt”:

1) Proximidade: A publicidade sempre coloca próximos produtos ou imagens acompanhadas de algo que a população almeja. O uísque a ser vendido vem sempre acompanhado do carro do ano, iates, etc.

2) Similaridade / Semelhança: De modo com que elementos semelhantes aparentam pertencer ao mesmo grupo, à publicidade coloca determinados produtos ao lado de figuras importantes e pessoas famosas.

3) Experiência passada : A mídia utiliza de experiências e vivências que ficaram marcadas nas pessoas, conectando seus produtos, como a propagando da pasta de dente ligado ao primeiro beijo, onde o indivíduo associa à sua própria experiência.

4) Direção: Há anúncios que utilizam a imagem da figura do avô-pai-filho, para mostrar a idéia de direção, de continuidade, : “O que foi bom, sempre será bom”, “A Caixa é a Caixa”.

5) Disposição objetiva: A mídia ao associar a propaganda a determinado indivíduo, e está sendo transmitida diversas vezes, mesmo ao término da publicidade, a simples aparição de determinado indivíduo já faz com que a população se lembre do produto.

Nelsa Guareschi, portanto, acrescenta que para a psicanálise o que move os comportamentos das pessoas, ou o que os motiva, é o que está no inconsciente.

As propagandas agem, exatamente para estimular o que para as pessoas seja prazerosa e lhes traga alegria e felicidade.

1.2 O capitalismo e a comunicação de massa

Conforme Guatarri (1986), a própria idéia de individuo é uma criação capitalista que nasce junto com a subjetividade enquanto interioridade ( individualidade) e com o ideal do trabalhador livre, que vende a força do seu trabalho como mercadoria.

A idéia de individualidade se contradiz com a concepção de social de sociedade. Um ser único, individual se contesta com a idéia de grupalidade, de luta de sociedade transformadora.

É visto que somos considerados indivíduos únicos, em uma sociedade capitalista, que prega à força de trabalho individual, entretanto, somos “sujeitos”, dependentes, vivendo em um sistema hierárquico.

A forma de controle social que segundo Adorno e Max Horkheimer (filósofos da Escola de Frankfurt), concluíram que os meios de comunicação de massa funcionam como uma verdadeira indústria de produtos culturais, visando o lucro e o consumo. De acordo com Adorno, a indústria cultural vende mercadorias, no entanto, mais do que isso, vende imagens do mundo e faz propaganda deste mundo tal qual ele é para que ele assim permaneça.

Uma das primeiras distinções feitas pelos teóricos de Frankfurt, principalmente Marcuse, foi a da diferença entre civilização e cultura. Civilização seria o mundo concreto da reprodução material, o mundo do trabalho, da necessidade, da matéria, o mundo da exterioridade, já a Cultura seria o mundo das idéias e dos sentimentos elevados, como a liberdade, felicidade, lazer, espírito, interioridade.

Dessa forma se a primeira idéia era separar a produção material (civilização) da produção de bens espirituais ( cultura), o passo seguinte foi de transformar essas cultura em algo popular onde todos tivessem acesso, transformando em mercadoria , conseqüente da revolução técnico-industrial.

As obras de arte que até então tinham como característica a produção individual com finalidades de manifestação e percepção de mundo acerca do belo, passa então a obter um caráter de mercadoria e tem como objetivo principal a idéia do lucro.

A cultura transformada em mercadoria, perde sua característica de cultura e se transforma em valor de troca que ajuda, por sua vez, a reproduzir o sistema. Onde a mercadoria reina absoluta, tudo precisa se transformar em mercadoria: a arte, as idéias, os valores espirituais, as invenções, a criação. O lucro predomina sobre o filosofo, o estético, o religioso, o literário.

Conclusão

Pode-se dizer de modo geral que a cultura se emerge através da ligação entre a sociedade e do modo como a burguesia e a classe dominante as estabeleceram, visto que, está perde totalmente seu papel com a aparição de uma sociedade capitalista que visa acima de tudo o lucro acerca do consumidor, consumidor este alienado e descrente de seu verdadeiro papel na sociedade.

Somos levados a considerar que quem está construindo o mundo e o homem como o ser social é a comunicação e a mídia, que por sua vez, exerce sua influência na medida em que elege pessoas para serem os protagonistas, criam situações, constroem imagens, elaboram seu poder e afetam as relações políticas.

É dado afirmar que a comunicação como fonte de poder tem como principal papel a alienação da população que inconscientemente aceita sem questionar ou até mesmo sem saber o que se passa por trás dessa grande indústria massificadora de opiniões. “No rio da história, ninguém é apenas um contemplador do rio: nós somos o rio”, talvez seja mais do que tempo, de fazermos parte da história, percebemos de forma lúcida o mundo que nos cerca, para que atitudes e contestações sejam feitas.

Acredito que não seja necessário um isolamento do mundo e de toda essa indústria midiática, mas sim um apuramento do que eles consistem e uma visão mais abrangente, questionando e discernindo os pós e contras. Refletindo sobre o verdadeiro papel da mídia como produtores de agentes sociais.